Bom senso

Percebo que a base dos valores que adquiri e que reconheço em minha vida atual só faz sentido, se algo que, no transcurso de minha vida, foi falado, com muita intensidade e ao longo das minhas experiências aprendi por esta força uma ação ser desejada acima das outras, este “algo” é o bom senso, o fazer sentido. É uma sabedoria prática que não se aprende nas escolas ou nos livros, apenas vivendo. Meu sobrinho fala que os antigos gregos chamavam essa sabedoria de Phronesis, o mais alto saber da ética humana. Sim, acima de todo o conhecimento, seja do mundo do trabalho, seja no mundo pessoal, o bom senso, ainda pode ser a chave no momento de tomar uma decisão.

Tendo sido educada em uma família católica, bases fundamentais do catolicismo, fizeram parte de minha formação. O caminho das rosas, o caminho dos espinhos, ser como Maria, amar o amor desinteressado, Jesus caminhando sobre águas, pregando do alto da montanha, a transfiguração de cristo. Hoje, dou-me conta, que meu bom senso tem esta base, base sólida. Em um momento de fúria justificada, no qual todos os meus instintos gritam por uma reação que poderia causar dor nas pessoas que me rodeiam, o bom senso fala mais forte. Ele funciona como um antivírus, que protege e não me deixa contaminar pelo ambiente poluído ao meu redor.

Olhando para o meu presente e meu passado percebo isto, o meu bom senso está baseado em leis muito simples. Solidificadas pela educação que recebi de minha família na infância, e além, do meu entorno também. Conversar com o padre Santo Guerra sobre a bíblia, me ensinou que o dilúvio, servia para explicar que Deus, o criador, tinha dado uma segunda chance para a humanidade (minha catequista de primeira eucaristia Inez Rosseto, pediu para que ele falasse comigo sobre o dilúvio, pois eu estava fazendo muitas perguntas sobre o assunto). Naquele dia, eu estava sentada no degrau quente da sacada que havia na frente da casa canônica, ele tomava chimarrão. Após falar do dilúvio, deu um largo sorriso e mencionou como seria melhor eu acompanhar as histórias de Jesus. No antigo testamento, a figura de Jesus ainda não existia, ele veio a nós para nos ensinar e esclarecer muitas coisas.

Dou-me conta, que o meu “núcleo duro” é católico familiar. Hoje após tantos anos, após ter recebido educação formal, e ter vivido a primeira metade de minha vida. Percebo que o sentido a minha vida, o que está no centro da minha vida, o que forma o meu bom senso, são exatamente estes ensinamentos dos meus primeiros anos. Dou-me conta da existência de momentos fáceis e difíceis, que envolveram decisões fundamentais, fáceis e difíceis, e nelas o bom senso tem me guiado. Percebo também, e com muita alegria, que estou confortável dentro de mim, pois sei o que construí com minha história. Isto significa também, saber que o fato de fazer parte da vida de outras pessoas, próximas ou distantes, envolve levar este bom senso, e deixar um pouco de mim com cada uma delas.

Isto quer dizer que sei toda a verdade, que não cometo erros? Não, está longe das minhas pretensões. Mas sei o que está na base de meus valores, o que me faz ser eu. Muitas as pessoas podem não concordar com o que faço, ou o que acredito. E isto é bom. Não quero um mundo cheio de “Aidas”. Quero apenas que saibam que desejo apenas o bem, até para meus inimigos. E nisto o meu bom senso me ajuda, ajuda a guiar minhas intenções dentro daquilo que acredito. Já passou o tempo de tentar ser algo diferente, ou algo novo. Hoje, sei, e aprendi que sou eu, sou Aida, e a cada dia que passa gosto mais disso.

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