História e minha descendência

Através deste livro, ( palavras extraídas do livro de papai),  é nossa intenção, eternizar esta aventura e coragem dos nossos antepassados, e transmiti-la aos nossos filhos, e estes a seus filhos e assim sucessivamente para que possam perceber as dificuldades que se apresentaram no dia a dia dos seus antepassados. E talvez as usar para fazer uma comparação com as dificuldades que se apresentarem no momento.

Nós, como descendentes de um imigrante desbravador e muito corajoso, queremos externar nossa gratidão, com certa dose de compaixão, ao nosso BISAVÔ (Lorenzzo) que soube firmar em terra fértil a base de uma grande geração. No dia 23 de junho de 1832 nascia na cidade de Civezzano o Sr. Lorenzzo Facchinelli, filho do segundo casamento do casal Giovanni Facchinelli e de Catterina Hoss, ele com 56 anos de idade e ela com 34 anos. No primeiro casamento ficou viúvo de Catterina Zoriatti.

No dia 10 de Abril de l869, na cidade de Civezzano, Lorenzzo casou-se com a Srta. Giuditta Rossi, natural da comuna de Pergine Valsugana e desta união matrimonial nasceu em 26 de Fevereiro de 1870, Daniel Francesco Facchinelli. Em 01 de Agosto de 1872 nasceu a filha Giacinta Maria Filomena e em 28 de Junho de 1875 nasceu o Emilio Giuseppe Fachinelli. No principio de 1875, partiram de Civezzano. Viajaram de trem, passaram por todo o Norte da Itália e seguiram viagem pela França. Embarcaram no porto de Le Havre (França), resolveram seguir por este porto, pois era o caminho mais curto em vista de estar localizado no oceano Atlântico e também servido por barcos a vapor. Viajaram todo e mês de Novembro de 1875 e em 1º de Dezembro do mesmo ano desembarcaram no Rio de Janeiro.

Nesta época, a filha Giacinta adoeceu e já demonstrava sinais de passamento, causando uma grande preocupação, pois em caso de morte deveria ser imediatamente jogada ao mar. Não queriam que um filho deles tivesse por tumulo o fundo do mar e fosse comido pelos peixes. Passaram-se mais dias e a saúde da menina iniciou uma contagem regressiva e faleceu, mas como já tinham avistado a terra, procuraram um meio para não jogá-la ao mar e dar-lhe uma sepultura digna em terras do continente. Para isto, esvaziaram uma mala, fazendo um rolo com as roupas, atiraram este rolo ao mar simulando o defunto sendo jogado, mas o cadáver ficou escondido na mala que tinha sido esvaziada. No dia seguinte desembarcaram no Rio de Janeiro no morro da saúde no porto de Mauá e, a menina Giacinta foi enterrada na ilha das Flores.

Lorenzzo e Guiditta escolheram então viajar mais para o sul, nas terras escolhidas por eles, já existia um barracão para abrigar os novos moradores, que permaneciam neste local até que a comissão de terra aparecesse para fazer a distribuição das colônias já demarcadas. As terras não eram mais gratuitas e a metragem também não era igual, portanto o imigrante passaria a adquirir colônias maiores ou menores, de acordo com suas possibilidades financeiras. Nossos antepassados, Lorenzo e Guiditta descidiram comprar o lote rural nº 39 da linha Figueira de Mello, com uma área de 484.000 m², hoje município de Garibaldi Rio Grande do Sul Brasil.

Lorenzzo nunca desanimou, pois tinha sempre presente que, para vencer, tinha de lutar muito, não ser covarde e ter sempre em mente a decisão consciente de imigrar fugindo das doenças e incertezas que a Itália e a Áustria ofereciam. Como ex-militar, sempre foi muito determinado, pensando, em primeiro lugar, no bem-estar da família. E também não se esquecendo da comunidade em que vivia. Lorenzzo ajudou na construção da primeira capela de São Marcos, inclusive facilitando a importação do sino que ate hoje está instalado. No momento da instalação do sino, sofreu uma queda que lhe custou a vida, deixando na dor da partida, os filhos e a esposa que sempre foi a companheira das muitas lutas e dificuldades. Faleceu sem poder usufruir dos benefícios de tão grandes lutas, nem vivenciar as alegrias próprias dos vencedores. Por ironia de destino, encerrou sua caminhada fazendo o que ele mais gostava. Deixou sua esposa Guiditta, que esteve ao seu lado encorajando-o quando o desânimo se abatia sobre ele, e auxiliando-o nas lides agrícolas e domésticas. Aos domingos era ela que rezava o terço com os demais moradores e após, promovia reuniões com as demais mulheres, analisando as dificuldades de cada uma e à medida do possível, auxiliava na solução de muitos problemas, tanto de relacionamento, tanto dos com os demais moradores como ou familiares.

Naquela época era costume entre os imigrantes, principalmente entre as mulheres, fazer uma visita à esposa que gerasse  uma criança. Nesta visita também era costume levar algum animal vivo e que simbolizava uma nova vida, entre os animais, cuja símbologia mais marcante era a fecundidade, usualmente levava-se uma galinha choca, ou seja, galinha com ovos ja fecundados que poderia gerar pintinhos ajudando no sustento da jovem família. Uma simbologia muito pratica, com este gesto, as mais antigas, incentivavam a parturiente jovem mãe, a continuar gerando mais vidas. A bisavó Giuditta foi com a oferenda, juntamente com os filhos Daniel e Emilio, visitar a parturiente jovem mãe que morava no lote rural nº 33 na ala Norte da mesma linha Figueira de Mello. Lá chegando e após as saudações de costume, a “Bambina” o bebê, que iria se chamar Maria, foi apresentada aos filhos de Guiuditta. Daniel surpreendentemente tomou a palavra dizendo que: la bambina e tropo bella e quando la deventera granda la volio esposare e la deventera madre de miei fili, traduzindo: a criança é muito bela e quando for grande a quero por minha esposa e será a mãe dos meus filhos. A visita continuou e com uma conversa muito animada girando um torno do primeiro nascimento no Brasil dos companheiros de imigração, do casal Damiano e Luigia Chiesa. Falaram bastante das aventuras da viagem e quais os planos para um futuro cada vez melhor. Após comerem os grostolis e tomarem uma xícara de brodo (caldo de galinha). Despediram-se almejando muita sorte no futuro que se desenhava muito promissor. Daniel, embora não tivesse idade para tomar alguma resolução, demonstrou que aquela sua escolha era para valer, pois esta sua previsão se concretizou com o casamento entre ambos pelos idos de 1894. Estas informações e o relato a seguir me foram passadas por Praxedes Facchinelli, filha de Daniele, e por Elpidio Facchinelli (Frei Marcos) filho de Emilio Facchinelli.

A bisavó Giuditta era uma mulher muito corajosa e com uma cultura maior dos demais, como já sabia se comunicar com os brasileiros ia até a cidade providenciar, junto à comissão de terras, os víveres necessários para toda a comunidade, bem como providenciava junto ao comércio, as compras para suprir as necessidades de algum imigrante. O caminho para isto era muito longo e durava diversos dias. Em muitas ocasiões teve que lutar com animais ferozes, ferindo-se com frequência, cheio de perigos e aventuras que muitas vezes resultavam na perda dos produtos, pois existiam tambem bandidos que assaltavam os imigrantes. Ela muito resuluta, voltava à comissão de terras, relatava o fato com tanta precisão, dando muita ênfase no que dizia, e conseguia repor o que havia sido roubado.  Nunca voltou de mãos vazias. Era muito justa no cumprimento desta tarefa, de acordo com informações de pessoas idosas que a conheceram, nos informaram que ela era muito caritativa e trabalhara muitos anos como catequista, instruindo os próprios filhos, netos, e os filhos dos imigrantes da comunidade.

Como era esposa de um ex-militar, nesta missão não só ministrava a parte religiosa, mas inclui noções de higiene e disciplina, dava conselhos e orientações para enfrentar a vida com muita coragem e altivez, nunca praticar atos ilícitos que viessem em desabono próprio e de seus familiares. Era muita determinada e quando assumia alguma tarefa, tanto familiar como comunitária, só parava quando a mesma fosse concluída.

Daniel continuou na agricultura iniciada pelo seu avô Lorenzzo, contando com a ajuda dos filhos e filhas maiores, aumentou suas lavouras e como resultado, a renda aumentava ou se mantinha estável. Adquiriu mais terras para a colocação dos filhos homens, os quais, quando casassem, também recebiam os animais e ferramentas, bem como uma casa e benfeitorias para iniciar uma nova etapa em suas vidas. As mulheres era dado um enxoval composto por uma máquina de costura, tecidos, uma vaca e outros animais domésticos.

Daniel também teve um grande cuidado com a instrução dos filhos, não descuidando da parte religiosa e da disciplina dos filhos. Não admitia que ninguém ficasse fora de casa após as 17 horas. Na hora do Ângelus fazia junto com toda a família as orações do fim do dia e, enquanto o jantar ficasse pronto, reunia os filhos para ensinar-lhes o catecismo, reforçando o que apreendiam das catequistas. Ele não aceitava a idéia de que um filho fosse reprovado no exame da catequese que normalmente antecedia a primeira Comunhão.

Daniel e Maria tiveram 12 filhos, sendo o sétimo filho o nosso avô Eduardo Fachinelli:

  1. Primo Fachinelli
  2. Elvira Fachinelli
  3. Raphael Fachinelli
  4. Deonisia Fachinelli
  5. Aurelia Fachinelli
  6. Alice Fachinelli
  7. Eduardo Fachinelli
  8. Narciso Umberto Fachinell
  9. Verônica Fachinelli
  10. Praxedes Fachinelli
  11. Armelindo Fachinelli
  12. Ulderico Fachinelli

EDUARDO VICTÓRIO FACHINELLI – Nasceu em 29 de Junho de 1909, na linha Figueira de Mello, capela de São Marcos, hoje distrito de Marcorama, município de Garibaldi (RS). Embora ainda na adolescência, iniciou os trabalhos da agricultura, nas lavouras da família e que já eram bastante grandes. Foi uma pessoa muito alegre, gostava muito de cantar participando ativamente no coral da família e na equipe que abrilhantava as cerimônias religiosas, e quando era solicitado a prestar algum serviço comunitário. Sempre o fazia com muita alegria e dedicação. Em 25 de março de 1933 casou com Rosa Andreola e logo após o nascimento do primeiro filho, em meados de 1934, foi morar na capela de Santa Ana na linha Figueira de Mello, adquirindo as terras do Sr. Emilio Fachinelli. Continuou com as lavouras já iniciadas e de imediato contratou um auxiliar para os serviços agrícolas, contratou também uma empregada domestica. Vendo que a cultura da uva era mais lucrativa, dedicou-se com maior esmero á viticultura, iniciou a construção de uma cantina a qual serviria também de moradia em parte do andar superior, após a conclusão da mesma a alugou a Sociedade Vinícola Riograndense Ltda, e passou a residir no andar superior. Por uma imposição legal, foi proibido este tipo de cantina, sendo obrigado a demolir a moradia localizada no andar superior. Deu-se inicio a construção de uma nova moradia separada da cantina. A construção obedeceu as formas das construções antigas, ou seja: ótimo porão e cozinha separada, foi uma das primeiras moradias que possuía um local destinado para os banhos, e também possuía energia elétrica para fornecer luz através de Cata-vento, este tipo de energia foi o inicio das pesquisas para se chegar a atual energia eólica. Passados uns anos o corredor que separava a cosinha foi utilizado para a construção de um banheiro interno, o que para muitos era um grande exagero, mas na realidade era um grande conforto e já existente nas moradias da cidade.

 Desde a época em que foi morar em Santa Ana passou por muitas e grandes dificuldades de saúde com a esposa e filhos, o que motivou uma grande falta de dinheiro, sendo obrigado a contrair novos empréstimos para saldar os anteriores, mas sempre lutou com muita bravura e nunca desanimou diante destas dificuldades e das muitas provações. Perdeu um filho recém-nascido vitima de meningite fulminante. Sempre repetia o dito popular: “Após  a tempestade surgirá um dia mais brilhante.”, alusão feita para dizer que um dia iria colher os frutos dos grandes sofrimentos momentâneos. Sempre apoiou as iniciativas dos filhos que desejavam continuar com os estudos, sacrificando-se com a falta de ajuda nos serviços agrícolas. Prova está que todos os filhos tiveram oportunidade de estudar, duas filhas tornaram-se professoras, uma costureira e, um contador e o primogenito eletricista. Quando não tinha mais condições de trabalhar foi morar com o filho primogênito na cidade de Carlos Barbosa (RS), onde faleceu em 26 de Setembro de 1974 deixando na viuvez a esposa, a qual faleceu em 28 de maio de 1997, e neste período sempre morou junto ao filho primogênito na cidade de Carlos Barbosa.

EGIDIO FACHINELLI – Nasceu no dia 06 de janeiro de 1934 na vila de São Marcos, hoje distrito de marcorama, município de Garibaldi (RS), filho primogênito de Eduardo Victorio Fachinelli e de Rosa Andreola. Logo após seu nascimento, mais precisamente em meados de 1934, foi morar junto com os pais na capela de Santa Ana, na mesma linha Figueira de Mello. Frequentou as aulas do primário na parte da manhã, na parte da tarde ajudavam nos serviços domésticos e agrícolas, quando os demais irmãos já tinham ido estudar para concluir o ensino fundamental, manifestou o desejo em continuar com os estudos, os pais concordaram e o internaram no Colégio dos Irmãos Maristas na cidade de Garibaldi (RS). Lá permanecendo por um período muito curto, pois teve uma doença que atingiu a visão, obrigando-o a abandonar os estudos, e segundo o médico que atestou este tipo de doença, também deveria ter muito cuidado no apanhar sol e não fazer trabalhos muito forçados, para não atingir o olho que estava são. Dentro destes limites de saúde, voltou a trabalhar na agricultura com o pai, mas já pensando em outra atividade. Casou em 13 de Fevereiro de 1954 com Inês Brigolini. Continuou trabalhando na viticultura e vendedor ambulante de produtos agrícolas, com a caminhão que tinha sido substituído pelo automóvel. Foi morar com os pais em Marcorama, mas por pouco tempo, foi morar na cidade de Garibaldi para apreender a profissão de eletricista, conseguindo habilitação para este tipo de atividade.  Passou a residir na cidade de Carlos Barbosa (RS) exercendo esta profissão como autônomo, mas logo realizou um concurso para ser eletricista da prefeitura, foi aprovado e contratado pela mesma, trabalhou até se aposentar. Gostava muito de cantar, participando ativamente em diversos corais, foi por muitos anos maestro de um coral de Marcorama, fundado pelo irmão Dormelindo, procurava manter vivas as tradições italianas herdadas pelos antepassados, no porão da casa fazia os mais diversos embutidos, vinificava e fazia diversos licores artesanais, através de um alambique a gás. Faleceu em 28 de Dezembro de 2003 no hospital em Caxias do Sul (RS) e foi enterrado na cidade de Carlos Barbosa (RS).

JUDICTA FACHINELLI – Nasceu em 10 de Outubro de 1936 na capela de Santa Ana pertencendo ao distrito de Floriano Peixoto no município de Garibaldi (RS), atualmente pertencendo ao município de Coronel Pilar (rs), filha de Eduardo Victorio Fachinelli e Rosa Andreola Fachinelli. Realizou um curso por correspondência no Instituo Universal Brasileiro, onde se formou costureira, tendo exercido esta profissão por diversos anos, tanto em Santa Ana, como em Marcorama. Quando o irmão Dormelindo resolveu ir para Quilombo (SC), a mãe pediu para a filha ir junto com o irmão e lá permanecer por algum tempo ou até que irmão necessitasse ou se estabelecesse, mas o destino mudou radicalmente seus rumos, pois iniciou um namoro com o filho do proprietário da casa alugada, após este namoro casou em 04 de maio de 1963 com Albino De Bortoli, continuou exercendo a profissão de costureira, montando um modelar atelier de costura, realizou diversos desfiles de moda, tendo granjeado uma boa fama também em municípios visinhos. Faleceu prematuramente em 14 de Junho de 2001.

ANA MARIA DELAZZERI – Nasceu em 05 de maio de 1938 na cidade de Garibaldi (RS), filha de Ana Fachinelli Delazzeri e Avelino Delazzeri, freqüentou e concluiu todo o ensino fundamental e neste período trabalhou como domestica, iniciou como professora e foi transferida para Santa Teresa, na época pertencendo ao município de Bento Gonçalves (RS), casou no dia 17 de Julho de 1993 com Luiz Carlos Barella, passando a se chamar Ana Maria Delazzeri Barella continuou estudando na UCS. No campus de Bento Gonçalves (RS) onde concluiu o curso de Letras, atualmente  leciona na cidade de Garibaldi (RS) e no  recém criado município de Santa Teresa (RS).

GABRIEL FACHINELLI (NASCIDO EM 22 DE DEZEMBRO DE 1939 E FALESCIDO EM 06 DE OUTUBRO DE 1940)

LOURDES FACHINELLI – Nasceu em 12 de Fevereiro de 1941 na capela de Santa Ana então pertencendo ao distrito de Floriano Peixoto, no município de Garibaldi (RS), transformado no município de Coronel Pilar (RS). Ainda muito jovem internou-se no colégio de Freiras na cidade de Flores da Cunha (RS), lá ficou por diversos anos, quando foi transferida para a cidade de Garibaldi (RS). Ficou no convento em Garibaldi (RS) até se formar professora, iniciando as atividades em diversas escolas municipais. Casou no dia 13 de Janeiro de 1968 com Ilso Postingher, continuou lecionando no município ate se aposentar e atualmente reside na capela de Santa Ana e nas mesmas terras que foram propriedade do pai Eduardo.

 

 

DORMELINDO FACHINELLI, nasceu em 10 de abril de 1935, filho de Eduardo Fachinelli, neto de Daniel Francesco Fachinelli e bisneto de Lorenzzo e Giuditta Fachinelli, portanto, segunda  geração de Italianos nascidos no Brasil.

Em 1945 ingressou Seminário San Jose com base na cidade de Alfredo Chaves, atual Veranópolis (RS), que mais tarde mudou-se para o Seráfico Seminário São Luiz de Vila Ipê (RS) na altura do município de Vacaria (RS), por razões de saúde deixou a vida religiosa. Retomou seus estudos na Santo Antonio Colégio dos Irmãos Maristas, na cidade de Garibaldi (RS). Em 10 de dezembro de 1960, a Contabilidade foi formada pela mesma escola, iniciando atividades nessa área. Antes de concluir o mesmo, e 23 de janeiro de 1960 ele se casou com Celestina Agostini, mais conhecido por Anita, e trabalhou para o sustento da família nova na empresa Confecções Brasileiras Sul Ltda.

Em 1962, recebeu um convite incomum de seu primo por casamento Albino Sponchiado, que irá atender a mover-se para a cidade de Quilombo (SC), que ocorre em 21 de junho de 1962, ele emigrou como seus ancestrais. Vai residir com o esposa esposa Anita, o filho mais velho Flávio Luís, e Judicta em Quilombo. Nascido em faiscido Paulo Roberto, Aida Teresinha e Ana Cristina. Nesta cidade, ele montou um escritório de contabilidade onde foi prestar assistência contábil às jovens empresas que iniciaram suas atividades lá.

Ao mesmo tempo, como um homem bem-educado com educação formal, Tecnico em contabilidade, foi o primeiro contador do recém-criado município de Quilombo e foi sócio fundador de:

1962 (27 anos): Chegada em Quilombo – Função: Contador da Prefeitura. O município acabava de ser emancipado. Ele foi responsável por organizar a contabilidade da Prefeitura e os principais processos administrativos;

1964 ( 29 ANOS):

– Fez parte da coordenação na construção da Igreja Matriz de Quilombo, obra iniciada em meados da década de 60 e concluída em 1969.

– Participa ativamente da comissão que constrói voluntariamente o Hospital São Bernardo.

l965 (30 anos) :

-Para atendimento e administração do recente criado Hospital São Bernardo vieram, as Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Ajuda a organizar e torna-se membro ativo da entidade mantenedora da Sociedade Hospitalar Beneficente São Bernardo – Hospital São Bernardo – Fez parte da Diretoria, tendo sido seu primeiro Contador e orientador administrativo por vários anos a partir do final da década de 60 até meados da década de 70. (trabalho que fez voluntariamente);

-SER – Sociedade Esportiva e Recreativa Quilombo – Sócio fundador Diretor e Presidente da Quilombo por diversas gestões.

1966 (31 anos):

-Participa da comissão que viabiliza a vinda da eletricidade ao município, até então gerada por empresa particular;

-Foi um dos patrocinadores do novo Centro Cirúrgico do Hospital São Bernardo, construído na nova ala de ampliação do Hospital inaugurada no dia 08/12/1970, juntamente com autoridades do Município, médico da cidade e parlamentares do Estado de Santa Catarina.

1969 (34 anos):

-Participa ativamente do Círculo de pais e Mestres da Escola Jurema Savi Milanez;

-Liderou o frupo de familhas, e fez  parte do Movimento Familiar Cristão – MFC participando de reuniões para discutir e planejar a liturgia das celebrações e orientar as famílias quanto à conduta religiosa dos seus membros, foi conferencis e membro ativo no processo de preparacao de noivos que decidiram formar novos nucleos familiares..

1970 (35 anos): Participa ativamente da política local, sendo candidato a vice-prefeito. Nestes anos intensifica sua atividade assistencial, auxiliando pessoas vulneráveis, dependentes de álcool, pobres;

1972 (37 anos): Participa da fundação da ACIQ – Associação Comercial e Industrial de Quilombo – Câmara de Dirigentes Logistas – CDL e Serviço de Proteção ao Crédito.

1973 (38 anos): Influente junto à administração municipal contribuiu com seu trabalho na obtenção de recursos públicos para a construção do novo complexo turístico de Quilombo inaugurado em 07/10/1974.

1974 (39 anos): Participa da comissão que funda uma escola de Ensino Médio, comunitária, onde foi tambem professor;

1976 (41 anos): Inicia a sua formação como Ministro da Eucaristia, que perdurará por dois anos, exercendo a função ate o dia de hoje levando o santissimo para doentes em suas casas.

1977 (42 anos) Principal líder pró-implantação da Rodovia SC 468, atual SC 157, que liga Chapecó a São Lourenço do Oeste, inaugurada em 1982, num trecho de 100 km.

1978 (43 anos) Em 29 de julho de 1978 formou-se o curso de formação especial Superior de professores de economia em FUNDESTE na cidade de Chapecó (SC).

1978 (43 anos): Parte de Quilombo, rumo a Bento Gonçalves, retornando às terras dos seus parentes mais próximos. Em grande parte por problemas de saúde. O clima úmido de Quilombo era prejudicial a um problema crônico de asma.

1979 (44 anos): Imediatamente engaja-se nas atividades da Paróquia Santo Antônio, sendo Ministro Extraordinário da Eucaristia. Atividade que exerceu por décadas, ajudando nas Celebrações da Eucaristia e levando a Eucaristia aos doentes;

2000 (66 anos): Aposentou-se vendendo seu escritório, Fachinelli Contabilidade para seu sobrinho e afilhado Clodoaldo Piacentini e Dalvo Piacentini, o escritorio existe ate o dia de hoje.

Em 2003, morreu a esposa Anita, 3 anos após contrayo 2º núpcias com Professor NAIR MARIA Bem, com quem é casado até hoje e hoje, e o acompanha  nesta peregrinação em honra aos antepassados.

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Palabras Escritas

Recuerdo siempre escuchar sobre cómo nunca se debe dejar por escrito algo que en el futuro podría comprometer la opinión futura. Algo como: palabras escritas en la arena del tiempo puede hacerlas desaparecer, en la piedra son para siempre. En otras palabras, algo que siempre escuché era: piense dos veces antes de escribir y publicar algo. Creo que ese es uno de los aprendizajes que la vida me mostró que no es así.

Escribir es bueno, aunque en el futuro pueda suceder algo que de alguna manera resignifique que lo que fue escrito. Escribir, en mi opinión, ayuda a dejar claro hasta nosotros mismos lo que pensamos, lo que somos, y lo que creemos.

La verdad personal es muy volcada al conjunto de vivencias que tenemos, la verdad sobre una persona contada por un tercero podrá normalmente venir acompañada de una opinión o de un análisis de un hecho vivido por ella.

Antes de escribir este post me quedé pensando: “¿Qué pensaba que sabía y qué es lo que sé hoy sobre escribir?”. Concluye que yo pensaba yo sabía que era mejor no escribir (y publicar), pues lo que es escrito queda registrado y esto parecía ser algo no muy positivo.

Pues bien es positivo. Es una forma de concretar el momento vivido. No cambiará los hechos vividos por una persona, que merecen ser descritos por la persona que los vivió.

¿Por dónde voy con todo eso? Voy por el camino nuevo que es el camino dejar por escrito lo que creo y lo que conozco como verdad. Sin palabras escritas, muchas veces amor, actitudes, acciones no puede comunicar intensidades de forma real. Qué palabras escritas consiguen. Eso que pensaba que sabía, que era mejor evitar escribir, encuentro al contrario, escribir es liberador.

Así quiero decir que estoy feliz en poder escribir y en poder comunicar estas verdades que yo pensaba que sabía que hoy veo de forma muy diferente, o veo confirmadas. Estos pensamientos estoy diciendo durante la segunda etapa de mi vida. Escribir es liberador y hará que en el futuro quien sabe 30 años pueda ver y entender mejor quién era esa mujer de 50 años. Que cada año que pasa se acerca más a la edad de mamá, en el momento de su vida cuando fue a vivir en el plano superior junto a nuestro señor.

Written Words

I always remember hearing about how we should never leave something in writing that could compromise a future personal opinion. Something like: words written in the sand , time can make them disappear, in the stone they are forever. In other words, something I always heard was: think twice before writing and posting something. I believe this is one of the learning that life has shown me that is not quite so.

Writing is good, even if something can happen in the future that somehow re-signifies what was written. Writing, in my opinion, helps to make it clear to ourselves what we think, who we are, and what we believe.

Personal truth is very focused on the set of experiences we have, the truth about me for instance , being   told by a third party can usually be accompanied by an opinion or an analysis of a fact lived by me, and then you know it…

Before writing this post I was thinking, “What did I think I knew and what do I know about writing today?” Concludes that I thought I knew it was better not to write (and publish), because what is written gets registered and this seemed to be something not very positive.

Well it is positive. It is a way to concretize the moment lived. It will not change the facts lived by a person, which deserve, in my opinion,  to be described by the person who lived the fact the situation.

Where am I going with all this? I’m going down the new path that is the way to leave in writing what I believe and what I know as truth. Without written words, often love, attitudes, actions can not communicate intentions in a real way. What written words do. That which I thought I knew, that it was best to avoid writing, encounter to the contrary, writing is liberating.

So I want to say that I am happy to be able to write and to be able to communicate these truths that I thought I knew that today I see very differently, or I see confirmed. These thoughts I am saying during the second stage of my life. Writing is liberating and will mean that in the future who knows 30 years I can see and understand better who this 50 year old woman was. That every year that passes is closer to Mom’s age, at the time of her life when she went to live on the higher plane next to her father.

Palavras Escritas

                Lembro de sempre escutar sobre como nunca se deve deixar por escrito algo que no futuro poderia comprometer a opinião futura. Algo como: palavras escritas na areia do tempo pode fazer com que elas desapareçam, na pedra são para sempre. Em outras palavras, algo que sempre escutei era: pense duas vezes antes de escrever e publicar algo. Creio que esse é um dos aprendizados que a vida me mostrou que não é bem assim.

                Escrever é bom, mesmo que lá no futuro possa acontecer algo que de alguma forma resinifique que o que foi escrito. Escrever, em minha opinião, ajuda a deixar claro até para nós mesmos o que pensamos, o que somos, e o que acreditamos.

                A verdade pessoal é muito voltada ao conjunto de vivências que temos, a verdade sobre uma pessoa contada por um terceiro poderá normalmente vir acompanhada de uma opinião ou de uma análise de um fato vivido por ela.

                Antes escrever este post fiquei pensando: “O que é que eu pensava que sabia e o que é que eu sei hoje sobre escrever?”. Conclui que eu pensava eu sabia que era melhor não escrever (e publicar), pois o que é escrito fica registrado e isto parecia ser algo não muito positivo.

                Pois bem é positivo. É uma forma de concretizar o momento vivido. Não irá mudar os fatos vividos por uma pessoa, que merecem ser descritas pela pessoa que os viveu.

                Por onde vou com tudo isso? Vou pelo caminho novo que é o caminho deixar por escrito o que acredito e o que conheço como verdade. Sem palavras escritas, muitas vezes amor, atitudes, ações não consegue comunicar intensões de forma real. O que palavras escritas conseguem. Isso que eu pensava que sabia, que era melhor evitar escrever, encontro ao contrário, escrever é libertador.

Assim quero dizer que estou feliz em poder escrever e em poder comunicar estas verdades que eu pensava que sabia que hoje vejo de forma muito diferente, ou vejo confirmadas. Esses pensamentos sou eu dizendo durante a segunda etapa de minha vida. Escrever é libertador e fará com que no futuro quem sabe 30 anos eu possa ver e entender melhor quem era essa mulher de 50 anos. Que a cada ano que passa se aproxima mais da idade de mamãe, no momento da vida dela quando foi viver no plano superior junto ao nosso Senhor .

Poderia ser a maneira de retornar ao bom senso.

Eu entendi, já faz tempo, que dizer a uma pessoa quando ele ou ela diz algo, compartilha um sentimento, uma frustração, uma informação; É reconfortante, para quem está falando, ouça: “Eu sei o que está sentindo”, muitas vezes eu digo isso com base em uma experiência pessoal, ou vivido por uma pessoa próxima. Gostaria de compartilhar isso, demonstrando que entendi a situação. Isto sempre traz calma e serenidade a um momento de tensão, faço isso de forma sincera e natural, sem protocolos e é bom! Mesmo que a calma e a serenidade sejam apenas do meu lado. Seguindo as regras do bom senso: primeiro escute, isso é fácil, pelo menos para mim.

No entanto, para dizer que eu entendo, esta é a parte do senso comum, do bom senso, onde “sentir a dor da pimenta nos olhos do outro”, faz sentido. Eu sei que estou me repetindo, mas viver em um mundo tão diferente e fisicamente longe do meu povo, me fez perceber, o que é importante dizer e demonstrar à outra pessoa. “Eu entendo, eu sei o que você está sentindo.” Isso, ouvir, ouvir e ouvir me ajudou, em muitas situações em que há, durante esses 52 anos, estou convencida de que minha intenção é positiva, que a mensagem que eu comuniquei trará algo de bom. Por exemplo, talvez eu esteja falando sobre seguir a lei, um dos ensinamentos de Jesus, coisas assim. E nesse mesmo momento, meu interlocutor demonstra claramente que ele ou ela não está entendendo o que eu digo. Há muito tempo, não era fácil, agora, eu sei que faz parte de um processo e, como resultado, todos os dias mais me frustra menos, ver que a outra pessoa não está entendendo, mas eu sou!

Estou ouvindo, certo?

Aprendi que o entendimento é diferente de aceitar ou acreditar, ou apoiar uma ideia, e essa compreensão está me ajudando a navegar em situações onde o bom senso foi perdido, mas a compreensão, esta poderia ser a maneira de retornar ao bom senso.

Could be the way to return to common sense

I understood, a long time ago, that to say to a person when she or he  says something, shares a feeling, a frustration, an information, is comforting, to whom is talking listen: “I know what you’re feeling”, often I say this based on a personal experience, or lived by a close person. I would like to share that, demonstrating, I understood the situation, always brings calm and serenity to a moment of tension, I do it in a sincere and natural way, without protocols. It’s good!

Even though the calm and serenity is only on my side.

Following the rules of common sense: first listen, This is easy, at least for me. However, to say that I understand, this is the part of common sense, where to “feel the pain of the pepper in the eyes of the other”, makes sense. I know I am repeating myself, but living in a world so different and physically far from my people, made me realize, how important it is to say and demonstrate to the other person, I understand, I know what you are feeling. This, listening, listening and listening has helped me, in many situations where there are, during those 52 years, I am convinced that my intention is positive, that the message I have communicated will bring something good. For example, I might be talking about following the law, one of Jesus’ teachings, things like that. And at that very moment, my interlocutor clearly demonstrates that he or she is not understanding what I say.

A long time ago, it was not easy, now, I know it is part of a process and as a result, every day more frustrates me less, to see that the other person is not understanding, but I am !!!

I’m listening, right?

I have learned that understanding is different from accepting or believing, or supporting an idea, and this understanding is helping me to navigate at times, where common sense has been lost, but understanding, could be the way to return to common sense.

Common sense

I realize that the basis of my acquired values ​​and that I recognize in my current life only makes sense, if something that, in the course of my life, was spoken, with great intensity. I also realize that, and throughout my experiences I learned, that this intensity, forced one action “to be” desired above others, this “something” is common sense. It is a practical wisdom not learned in schools or books, just living. My nephew Lucas,says that the ancient Greeks called this wisdom of Phronesis, the highest knowledge of human ethics. Yes, above all knowledge, whether in the world of work or in the personal world, common sense can still be the key when making a decision.

Having been educated in a Catholic family, fundamental foundations of Catholicism, were part of my formation. The path of roses, the path of the thorns, be like Mary, love disinterested love, Jesus walking on water, preaching from the top of the mountain, the transfiguration of Christ. Today, I realize, my common sense has this basis, solid foundation. In a moment of justified rage, in which all my instincts scream for a reaction that could cause pain in the people around me, common sense speaks louder. It works like an antivirus, which protects and does not let me be contaminated by the polluted environment around me.

Looking at my present and my past I realize this, my common sense is based on very simple laws. Solidified by the education I received from my family in childhood, and beyond, from my surroundings as well. Talking to Father Santo Guerra about the Bible, he taught me that the flood meant that God, the creator, had given a second chance to humanity (my first Eucharist catechist, Inez Rosseto, asked him to talk to me about it, because, I was asking a lot of questions on the subject). That day, I was sitting on the warm step of the balcony that was in front of the canonical house, he was drinking chimarrão. After speaking of the flood, he gave a big smile and mentioned how it would be best for me to follow the stories of Jesus. In the Old Testament, the figure of Jesus did not yet exist, he came to us to teach us and clarify many things, I never forgot that moment.

I realize that my “hard core” is a Catholic family. Today after so many years, after receiving formal education, and have lived the first half of my life. I realize that the meaning of my life, what is at the center of my life, which forms my common sense, are exactly these teachings of my early years. I realize the existence of easy and difficult moments, which involved fundamental decisions, easy and difficult, and in them common sense has guided me. I also feel, and with great joy, that I am comfortable within my own skin, for I know what I did built with my story. This also means knowing that being part of other people’s lives, near or distant, involves taking this common sense, and leaving a little of myself with each one of them.

Does this mean that I know the whole truth, that I do not make mistakes? No, it is far from my pretensions. But I know what’s underpinning my values, what makes me be me. Many people may not agree with what I do, or what I believe. And this is good. I do not want a world full of Aidas. I just want you to know that I desire only good, even to my enemies. And in this my common sense helps me, it helps to guide my intentions into what I believe. The time has passed to try to be something different, or something new. Today, I know, and I learned that I am, I am Aida, and every day I like it more.

Bom senso

Percebo que a base dos valores que adquiri e que reconheço em minha vida atual só faz sentido, se algo que, no transcurso de minha vida, foi falado, com muita intensidade e ao longo das minhas experiências aprendi por esta força uma ação ser desejada acima das outras, este “algo” é o bom senso, o fazer sentido. É uma sabedoria prática que não se aprende nas escolas ou nos livros, apenas vivendo. Meu sobrinho fala que os antigos gregos chamavam essa sabedoria de Phronesis, o mais alto saber da ética humana. Sim, acima de todo o conhecimento, seja do mundo do trabalho, seja no mundo pessoal, o bom senso, ainda pode ser a chave no momento de tomar uma decisão.

Tendo sido educada em uma família católica, bases fundamentais do catolicismo, fizeram parte de minha formação. O caminho das rosas, o caminho dos espinhos, ser como Maria, amar o amor desinteressado, Jesus caminhando sobre águas, pregando do alto da montanha, a transfiguração de cristo. Hoje, dou-me conta, que meu bom senso tem esta base, base sólida. Em um momento de fúria justificada, no qual todos os meus instintos gritam por uma reação que poderia causar dor nas pessoas que me rodeiam, o bom senso fala mais forte. Ele funciona como um antivírus, que protege e não me deixa contaminar pelo ambiente poluído ao meu redor.

Olhando para o meu presente e meu passado percebo isto, o meu bom senso está baseado em leis muito simples. Solidificadas pela educação que recebi de minha família na infância, e além, do meu entorno também. Conversar com o padre Santo Guerra sobre a bíblia, me ensinou que o dilúvio, servia para explicar que Deus, o criador, tinha dado uma segunda chance para a humanidade (minha catequista de primeira eucaristia Inez Rosseto, pediu para que ele falasse comigo sobre o dilúvio, pois eu estava fazendo muitas perguntas sobre o assunto). Naquele dia, eu estava sentada no degrau quente da sacada que havia na frente da casa canônica, ele tomava chimarrão. Após falar do dilúvio, deu um largo sorriso e mencionou como seria melhor eu acompanhar as histórias de Jesus. No antigo testamento, a figura de Jesus ainda não existia, ele veio a nós para nos ensinar e esclarecer muitas coisas.

Dou-me conta, que o meu “núcleo duro” é católico familiar. Hoje após tantos anos, após ter recebido educação formal, e ter vivido a primeira metade de minha vida. Percebo que o sentido a minha vida, o que está no centro da minha vida, o que forma o meu bom senso, são exatamente estes ensinamentos dos meus primeiros anos. Dou-me conta da existência de momentos fáceis e difíceis, que envolveram decisões fundamentais, fáceis e difíceis, e nelas o bom senso tem me guiado. Percebo também, e com muita alegria, que estou confortável dentro de mim, pois sei o que construí com minha história. Isto significa também, saber que o fato de fazer parte da vida de outras pessoas, próximas ou distantes, envolve levar este bom senso, e deixar um pouco de mim com cada uma delas.

Isto quer dizer que sei toda a verdade, que não cometo erros? Não, está longe das minhas pretensões. Mas sei o que está na base de meus valores, o que me faz ser eu. Muitas as pessoas podem não concordar com o que faço, ou o que acredito. E isto é bom. Não quero um mundo cheio de “Aidas”. Quero apenas que saibam que desejo apenas o bem, até para meus inimigos. E nisto o meu bom senso me ajuda, ajuda a guiar minhas intenções dentro daquilo que acredito. Já passou o tempo de tentar ser algo diferente, ou algo novo. Hoje, sei, e aprendi que sou eu, sou Aida, e a cada dia que passa gosto mais disso.

Meus pensamentos mais recentes

Quanto mais me aproximo da idade que minha mãe tinha quando morreu (56), mais me reconheço nela. Penso em quanta coisa ela me falava, que fez sentido e quanta coisa não.

As que fazem sentido, são em número muito maior.

Tive a oportunidade de morar com meus pais até meu primeiro casamento. Naquele tempo,  eu não tive nem paciência para provar o vestido de noiva que ela criou e costurou para mim. Ouvi, os conselhos óbvios que ela me dava, internamente concordava com alguns e com outros nem tanto. A oportunidade de ouvir seus conselhos continuou, quando após 18 meses de casamento, voltei a morar com a mamãe e papai, então, tudo que ela falava e o papai também, passou a fazer muito sentido, incluindo dar-me conta que, após ter casado, e morar em outra casa que não fosse a dos meus pais, se eu não comprasse pão, o pão não viria sozinho, estas coisas.

Muito se desenrolou desde aquela época, e vejo que minha ex-ingenuidade volta a se repetir nos mais jovens. Então pedi ao meu sobrinho Lucas, e sua namorada, Luiza, para me ajudar a criar este blogue, e poder compartilhar tudo o que aprendi, o que achava que sabia, e o que agora sei.

Há  10 anos mudei drasticamente minha vida e reiniciei o que viria a ser um novo capítulo de minha história. Gostaria de compartilhar meus pensamentos passados, compartilhando assim minha jornada e porque não, entendendo-a melhor.

Espero que durante esta jornada, você e eu, não encontremos pela frente muitas turbulências.